Renato e Eliane jantavam num restaurante com o filho Daniel. Ele era a única criança no local e estava sentado numa cadeira infantil. Todos comiam, bebiam e conversavam tranqüilamente. De repente, o menino começou a bater as mãozinhas na mesa e gritou animado, sorrindo:
- Oi, amigo!
Curioso, o pai olhou para um lado, para outro e viu a razão da alegria do filho: Era um senhor usando roupas e sapatos rasgados e sujos.
Com um pouco de medo, o homem acenou para Daniel e falou:
- Oi , neném, tudo bem?
Rapidamente Renato e Eliane se olharam e pensaram: “o que faremos”?
Daniel, porém, continuou rindo e falou de novo:
- Oi, amigo!
Nesse momento, todos no restaurante olharam para Daniel, seus pais, e para o mendigo. Renato ficou com raiva e disse para a esposa que o homem estava incomodando o filho.
Nesse instante, os garçons trouxeram a comida e o mendigo chegou perto de Daniel. Ninguém acreditava que aquele homem estava sendo simpático e carinhoso com o menino, e alguns chegaram a pensar que ele estava bêbado.
Envergonhados, Renato e Eliane pediram a conta. Quando já estavam na porta, Eliane resolveu ir ao banheiro. Ela combinou de encontrar o marido no estacionamento.
O velho mendigo estava muito perto da porta de saída. Renato se apavorou e pensou, enquanto passava ao lado do homem, com Daniel no colo: “Ah, meu Deus, me ajuda a sair daqui antes que este louco fale com o meu filho de novo!”
Enquanto Renato mal queria olhar aquele homem, Daniel levantou os braços e, antes que o pai pudesse impedi-lo, se jogou no colo do mendigo. O pequeno Daniel, sem medo, encostou sua cabeça no ombro do desconhecido que, por sua vez, fechou os olhos e começou a chorar. Suas mãos, enrugadas, maltratadas, cheias de cicatrizes, dor e trabalho duro, agora eram suaves, e ele acariciava as costas daquele menino.
Renato, se sentindo envergonhado e com remorso, pensou: “nunca duas pessoas se amaram tão profundamente em tão pouco tempo!”.
O velho homem, ainda com Daniel em seus braços, abriu os olhos e, emocionado, falou para Renato:
- Cuide muito bem deste menino! O senhor não sabe, mas me deu um presente maravilhoso hoje! Que Deus abençoe a sua família!
Renato, com a voz embargada, quase chorando afirmou que cuidaria sim, do filho e pegou Daniel do colo daquele homem. O menino parecia triste vendo o desconhecido ir embora.
Renato, arrependido do preconceito que sentiu daquele mendigo, descobriu que seu filho, tão pequenino, acabou lhe dando uma grande lição: a de amar ao próximo.
LIÇÃO DE VIDA:
Não devemos ter qualquer tipo de preconceito.
Como seria, se começássemos a ver as coisas, sob o olhar inocente de uma criança?
As crianças são simples, não têm preconceitos, são sinceras, francas, espontâneas…
Quem sabe assim, construiríamos um mundo melhor, mais justo e sem violência!


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